Leishmaniose

Leishmaniasis

A Leishmaniose é uma doença causada pela presença de um parasita protozoário (pequeno organismo) - Leishmania infantum - que é transmitido através da picada dos flebótomos (semelhante ao mosquito). O Leishmania infantum – previamente chamado Leishmania Canis - aloja-se em células macrófagas (um tipo de célula imunológica), permitindo a sua sobrevivência no organismo.

O modo de infecção deste protozoário baseia-se numa “técnica de camuflagem”, ou seja, ele usa o próprio sistema imune do hospedeiro para se esconder!

É uma zoonose (doença transmitida entre humanos e animais) que afeta principalmente crianças (embora seja muito raro); atualmente, os casos mais comuns surgem em pessoas infetadas com VIH.

Ciclo de Vida

As formas parasitárias extracelulares são flageladas e denominam-se promastigotas, surgem no vector – o flebótomo – ou em cultura; os cães armazenam apenas a forma aflagelada, que se denomina amastigota. Os flebótomos fêmeas ingerem a forma amastigota quando se alimentam do sangue dos cães, que se aloja no intestino para se desenvolver. Passados 15 a 20 dias é possível encontrar a forma promastigota nas glândulas salivares do flebótomo. A picada do flebótomo tem um efeito traumático na pele do cão, o que resulta na afluência de células imunes á zona da picada, resultando na infecção das células macrófagas com a forma promastigota; aí começam-se a multiplicar e a infectar outras células macrófagas do organismo, até se espalharem pelo corpo todo.

 

Patogénese

A simptomatologia da Leishmaniose deve-se á infiltração das linhas de células macrófagas nos tecidos, que levam á disfunção do orgão e, consequente, destruição.

No cão, esta manifesta-se de um modo visceral e dermal; tratando-se de uma doença imunopatológica. Após o cão ser infectado, ocorre uma resposta imune para combater o parasita, e a alta concentração destas células imunológicas e a formação de complexos (aglomerados) das mesmas, resultam em glomerulonefrite (processo inflamatório nos glomérulos dos rins) e artrite (processo inflamatório na articulação).

 

Sinais clinícos

A Leishmaniose é polimórfica, causando uma variedade de sinais clínicos, tanto geral como subcutâneo. Os sinais clínicos podem ser mais ou menos pronunciados e variam de acordo com o tempo que levam a desenvolver.

 

Sinais clinícos gerais

  • Mudanças comportamentais: apatia, perda de energia e vontade de brincar, apetite reduzido;

  • Amiotrofia: atrofia dos músculos, geralmente afetando a cabeça primeiro, dando aspecto de “cão velho”; mais tarde, os membros e a anca, que se torna proeminente;

  • Perda de peso: acompanha a perda de músculo. Aspecto de cão “triste e velho”;

  • Hipertremia inconstante: surge principalmente em cães jovens, com menos de dois anos;

  • Alterações sanguíneas e bioquímicas.

Sinais mucocutâneos:

  • Perda de pêlo;

  • Onicogrifose: multiplicação da Leishmania na matriz das unhas, por vezes causando o característico crescimento constante e rápido;

  • Desordens queratogénicas: escamação significativa;

  • Úlceras: comum no interior das orelhas - geralmente congruente com a picada do mosquito -, nariz, almofadas das patas (causa dor intensa e leva a que o cão coxeie), mucosa da glândula da hipófise (causando sangramentos nasais), mucosas orais e digestivas, entre outros;

  • Nódulo subcutâneos: proliferação das linhas de células macrófagas na derme.

Outros sinais clínicos

Variam em frequência:

  • Sinais oculares;

  • Sinais ao nível do sistema nervoso motor e sensorial;

  • Falência renal crónica devido a glomerulonefrite;

  • Poliartrite.

 

Prevenção

Medidas simples tais como manter o seu cão dentro de casa de madrugada; evitar manter águas paradas junto á sua casa; o uso de coleiras repelentes ou pipetas protegem o seu animal, e diminuem a probabilidade de infecçào. Existem também vacinas preventivas, no entanto, deve-se informar junto do seu veterinário para que escolha o método que mais se adequa ao seu cão.

 

Atualmente, desde que diagnosticada cedo, a Leishmaniose é facilmente controlada pela administação de um medicamento diariamente, embora este não cure a doença, permite uma boa qualidade de vida durante longos anos. Não deixe que esta doença o impeça de adoptar um animal!

Leishmaniasis is a disease caused by the presence of a protozoan parasite (small organism) - Leishmania infantum - which is transmitted through the sand fly bite (similar to a mosquito). The method of infection of this protozoan is based on a "camouflage technique", it uses the animals immune system to hide itself!

Leishmania infantum - previously called Leishmania Canis - lodges in macrophage cells (a type of immunological cell), allowing their survival in the organism.

It is a zoonosis (disease transmitted between humans and animals) that mainly affects children (although it is very rare); currently, the most common cases occur in people infected with HIV.

 

Life cycle

Extracellular parasite forms are flagellated and are called promastigotes, arise in the vector - the sand fly - or in culture; the dogs store only the aflagellate form, which is called the amastigote. Female sand flies ingest the amastigote form when they feed on the dog's blood, which lodges in the intestine to develop. After 15 to 20 days it is possible to find the promastigote form in the salivary glands of the sand fly. The bite of the sand fly has a traumatic effect on the dog's skin, which results in the influx of immune cells to the bite, resulting in the infection of macrophages with the promastigote form; there they begin to multiply and infect other macrophages of the organism, until they spread throughout the body.

Pathogenesis

The symptomatology of Leishmaniasis is due to the infiltration of macrophages in the tissues, leading to dysfunction of the organ and, consequent, destruction. In the dog, this manifests itself in a visceral and dermal way; being an immunopathological disease. After the dog is infected, an immune response occurs to combat the parasite, the high concentration of these imunological cells and the formation of complexes (agglomerates) result in glomerulonephritis (inflammatory process in the glomeruli of the kidneys) and arthritis (inflammatory process in the joint).

 

Clinical Signs

Leishmaniasis is polymorphic, causing a variety of clinical signs, both general and subcutaneous. Clinical signs may be more or less pronounced and vary according to the time they take to develop.

 

General clinical signs

  • Behavioral changes: apathy, loss of energy and desire to play, reduced appetite;

  • Amyotrophy: muscle atrophy, usually affecting the head first, giving the appearance of "old dog"; later, the limbs and the hip, which becomes prominent;

  • Weight loss: accompanies loss of muscle. Appearance of dog "sad and old";

  • Inconstant hyperthermia: mainly occurs in young dogs, less than two years old;

  • Blood and biochemical changes.

Mucocutaneous signs:

  • Loss of hair;

  • Onychogryphosis: Leishmania multiplication in the nail matrix, sometimes causing the characteristic constant and rapid growth;

  • Keratogenic disorders: significant scaling;

  • Ulcers: common inside the ears - usually congruent with mosquito bites - nose, paw pads (causes severe pain and causes the dog to limp), mucosa of the pituitary gland (causing nasal bleeding), oral and digestive mucous membranes , among others;

  • Subcutaneous nodules: proliferation of macrophages in the dermis.

 

Other clinical signs

They vary in frequency:

  • Ocular signs;

  • Motor and sensory nervous system disorders;

  • Chronic renal failure due to glomerulonephritis;

  • Polyarthritis.

Prevention

Simple measures such as keeping your dog in the house at dawn; not keeping standing water near your house; the use of repellent collars or pipettes protects your pet, and reduces the likelihood of infection. There are also preventive vaccines, however, you should visit your veterinarian to choose the method that best suits your dog.

 

Currently, as long as diagnosed early, Leishmaniasis is easily controlled by the administration of medicine daily, although it does not cure the disease, it allows a good quality of life for long years. Do not let this disease stop you from adopting an animal!

Fontes de informação:                         Information sources:

Textbook of Clinical Parasitology in dogs and cats by Frédéric Beugnet, Lénaïg Halos and Jacques Guillot